5 de fevereiro de 2014

...a beleza, o cânone

1. Kouros, 525 a.C. (período arcaico)
2. Doríforo de Policleto (cópia romana), 450 a.C.
3. Baco ébrio de Michelangelo, 1496-98
4. Apolo e Dafne de Bernini, 1622-25
5. Perseus c/ a cabeça de Medusa, antonio Canova, c. 1800


"… a beleza… não está na simetria dos elementos, mas na adequada proporção entre as partes, como por exemplo dos dedos uns para com os outros, estes para com a mão, esta para com o punho, este para com o antebraço, este para com o braço, e de tudo para com tudo, como está escrito no Cânone de Policleto. Tendo-nos ensinado nesta obra todas as proporções do corpo, Policleto corroborou seu tratado com uma estátua, feita de acordo com os princípios de seu tratado, e ele chamou a estátua, assim como o tratado, de Cânone".

Galeno in De Placitis Hippocratis et Platonis

17 de janeiro de 2014

Palácio das Necessidades

Palácio das Necessidades (1743-1750)

«Este palácio, erguido no reinado de D. João V, entre 1743 e 1750,que tem sido atribuído a Caetano Tomás de Sousa, integra-se num conjunto monumental classificado como Imóvel de Interesse Público (abrange a fachada palaciana, a capela e torre sineira, a fonte localizada em frente da capela, todo o edifício conventual e os respectivos jardins e parque envolvente).Residência real durante mais de um séc., recebeu a partir de meados do séc. XX o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Trata-se de uma construção barroca, desenvolvida segundo planta muito articulada em torno de 2 pátios quadrangulares, cujo alçado principal, constituído por 3 corpos delimitados por pilastras, surge rasgado por 24 janelas de peito no piso térreo e outras tantas de sacadas sobrepujadas de ática no piso nobre. No interior destacam-se as escadarias de acesso ao andar nobre e as sucessivas salas temáticas, decoradas com estuques, pinturas murais, talha, mármores, azulejos, esculturas e telas. Este conjunto integra a Capela de N. S. das Necessidades, anterior ao palácio, de frontaria avançada formando galilé, com torre sineira, cuja fachada, rasgada por uma porta encimada por relevo de mármore figurando a padroeira, exibe estatuária de José de Almeida e Alessandro Giusti, e ainda um edifício conventual da Ordem de S. Filipe Néri, doado aos Padres do Oratório. Jardins e uma tapada de 10 hectares englobam o conjunto edificado. O Palácio integra a classificação como Imóvel de Interesse Público do Conjunto do Palácio das Necessidades, publicada em Decreto n.º 8/83, DR, I Série, n.º 19, de 24-01-1983»


Fonte: CML

16 de janeiro de 2014

Fragonard

Fragonard, O Baloiço, 1767-68
Óleo s/tela, 81 × 64 cm
Colecção Wallace

13 de janeiro de 2014

Cristo e a sua representação

1. Cristo docente, escultura romana do século III
2. Cristo crucificado, iluminura, Codex Lorsh, 1175-95
3. Cristo do renascimento, autoria desconhecida (alguns historiadores atribuem esta escultura a Michelangelo)
4. Cristo crucificado, Francisco Zurbaran, 1630-39.
5. Cristo crucificado, Caspar David Friedrich, 1807-8.


12 de dezembro de 2013

6 de dezembro de 2013

Vénus do espelho

Diego Velásquez
Vénus do espelho, c.1644-48
Óleo s/tela 122,5x177 cm
National Gallery de Londres.

5 de dezembro de 2013

Tenebrismo

Caravaggio
David e Golias, 1600
Óleo s/tela
Museu do Prado


«Tenebrismo foi uma tendência pictórica nascida no Barroco que se perpetuou irregularmente até o Romantismo. Seu nome deriva de tenebra (treva, em latim), e é uma radicalização do princípio do chiaroscuro. Teve precedentes no Renascimento e se desenvolveu com maior força a partir da obra do italiano Caravaggio, sendo praticada também por outros artistas da Espanha, Países Baixos e França. Como corrente estilística teve curta duração, mas em termos de técnica representou uma importante conquista, que foi incorporada à história da pintura ocidental. Por vezes o Tenebrismo é usado como sinónimo de Caravaggismo, mas não são coisas idênticas.
Os intensos contrastes de luz e sombra emprestam um aspecto monumental aos personagens, e embora exagerada, é uma iluminação que aumenta a sensação de realismo. Torna mais evidentes as expressões faciais, a musculatura adquire valores escultóricos, e se enfatizam o primeiro plano e o movimento. Ao mesmo tempo, a presença de grandes áreas enegrecidas dá mais importância à pesquisa cromática e ao espaço iluminado como elementos de composição com valor próprio.»

Fonte: wikipedia

2 de dezembro de 2013

Brueghel, Pagamento de Impostos, 1616

'O Cobrador de Impostos'
Pieter Brueghel II, o Jovem ou do Inferno (1564-1637)
Flandres, 1616
Óleo sobre madeira de carvalho
Alt. 51,9 cm. x Larg. 83,7 cm.
Colecção Museu Medeiros e Almeida


O pintor flamengo Pieter Brueghel II recriou esta imagem dezenas de vezes com dimensões diferentes. É uma composição satírica datada de 1616, pensada para estigmatizar a pressão fiscal que os Países Baixos suportaram durante a ocupação espanhola.



«Nesta pintura, conhecida como “O Cobrador de Impostos”, “O Advogado dos Camponeses”, “O Advogado das más Causas” ou “O Escritório do Notário”, é mostrado o interior de um escritório com duas janelas, uma porta entreaberta, duas secretárias cheias de papéis e inúmeros sacos pendurados pelas paredes. À direita, por trás de uma das secretárias, um personagem sentado, de barba em bico, vestimenta escura e barrete – o advogado ou cobrador - analisa um documento, flanqueado por um homem em pé à esquerda e outro homem à direita que olha para um almanaque pendurado na parede. Do outro lado da secretária uma fila de pessoas – seis homens e uma mulher-, em atitude humilde, carregando cestos e sacos com géneros para fazer o pagamento dos seus impostos, esperam a sua vez para ser atendidos. No fundo do escritório, junto da porta, um escriturário escreve alheio à confusão e à desordem dominante.

A temática:
Esta composição insere-se nda tradição da caricatura europeia, não só na forma e na narrativa quase teatral, como também na temática. O tema abordado - o pagamento de impostos ou o escritório do advogado - era relativamente frequente e popular na Flandres do século XVII, resultando de uma sociedade em que a actividade financeira se tinha desenvolvido muito rapidamente.
O facto da figura principal ter uma certa semelhança com um espanhol fez com que esta obra tenha sido identificada como uma crítica às condições sufocantes que o povo dos Países Baixos suportou durante a ocupação filipina. Porém, norma geral, estas pinturas não aludiam a personagens concretos, funcionando como reflexo da sociedade, constituindo-se sim como sátiras da avareza e corrupção dos homens de leis e da sua relação com o poder.


São vários os autores que, baseando-se na paleta de cor e em alguns pormenores – nomeadamente nas vestimentas das personagens e no facto de o almanaque à direita do quadro estar escrito em francês (não esquecendo que naquela altura o francês era a língua erudita na Flandres) -, sugerem que esta obra surgirá a partir de um protótipo francês desconhecido, havendo também a leitura de que este exemplar específico poderá ser originário de um encomendante francês. O certo é que, independentemente da fonte de inspiração, este será um dos temas inventados pelo próprio Pieter Brueghel o Novo e não, como muitas das suas outras criações, resultado de cópias de obras do seu pai, Pieter Brueghel o Velho.                                                                                                                      
Conhecem-se 91 cópias desta pintura (relação feita pelo historiador Georges Marlier em 1969) realizadas entre 1615 e 1630, muitas delas saídas do próprio atelier de Pieter Brueghel II e outras realizadas pelo seu filho Pieter Brueghel III, que diferem apenas em pormenores; esta multiplicação que resulta chocante hoje em dia, onde a exclusividade e a originalidade são qualidades per se, não era em absoluto inusual na altura, onde a reprodução de composições célebres era bem aceite sendo uma forma de responder à grande demanda por parte da burguesia em relação a certas obras que se tornaram populares.

A maioria destas cópias são de um formato similar, próximo dos 55cm x 88cm, como é o caso do exemplar da Casa-Museu, dado que eram realizadas pela técnica de trespasse conhecida como 'punção'; porém existem alguns exemplos de maiores dimensões, à volta dos 79 cm x 126 cm. Esta produção a grande escala dá fé da popularidade do tema, chegando a abrir-se já em 1618 uma gravura, divulgada pelo livreiro Paulus Fürst de Nuremberga, e que foi inclusivé usada como modelo para ilustrar panfletos atacando a corrupção dos advogados. Outros autores também continuaram este tópico, como Pieter de Bloot que, em 1628 pintará um quadro com o título “O Escritório do Advogado” – hoje no Rijksmuseum de Amsterdão – com uma inscrição satírica alusiva aos homens de leis.
  
O autor:
Pieter Brueghel II (1564-1636), também conhecido como Pieter Brueghel o Novo para diferenciá-lo do seu pai, ou Pieter Brueghel do Inferno (esta última denominação tem sido discutida por alguns autores que não encontram sustento para a sua atribuição), provém de uma família de pintores sendo filho mais velho de Pieter Brueghel o Velho (1525/1530-1569) e irmão de Jan Brueghel (1568 – 1625). O seu filho, Pieter Brueghel III continuará também a tradição familiar.

Aos cinco anos de idade fica órfão de pai e aos 14 anos perde também a mãe. Ele e os irmãos Jan e Marie irão viver com a avó paterna Marie Verhulst de Bessemers, viúva do artista Pieter Coecke van Aelst (d’Alost). Sendo ela própria pintora miniaturista, vai ser a primeira professora dos irmãos Brueghel - Jan irá especializar-se em pintura de pequena escala (veja-se a obra ‘A Paragem’ pertencente à Casa-Museu). Mais tarde Pieter entrará como aprendiz no atelier de Gillis van Coninxloo (1544-1607), em 1585 aparece já registado como membro da Guilda de São Lucas e pouco depois casará com Elisabeth Goddelet, com quem tem sete filhos.  




Pieter, ao contrário de seu irmão, nunca sairá dos Países Baixos e, embora não tenha aprendido o ofício com o seu pai, dedicará grande parte da sua carreira a fazer cópias das obras deste no seu atelier, às que juntará algumas composições próprias - nomeadamente paisagens, temas religiosos e pinturas fantasiosas - entre as quais a mais conhecida será “O Cobrador de Impostos”.
Mesmo que sempre se fale de Pieter Brueghel como o “pobre” da família em comparação com seu irmão Jan, a verdade é que, apesar de ter atravessado algumas dificuldades económicas, dirigiu um próspero atelier que recebia numerosas encomendas e no qual trabalhavam vários artistas, como testemunha a grande quantidade de obras nele produzidas.»

Proveniência:
Pertenceu à colecção dos Condes de Lafon, Borgonha (Christian Charles Louis, 1853-1934)
Anunciado na revista Art & Curiosité, de Junho-Julho-Agosto de 1971.

Adquirido a J. O. Leegenhoek Tableaux - 96, Av. Kléber, Paris - em Junho de 1971, por FFR 120.000. Nessa altura será feita a moldura, a tartaruga, oferta do vendedor a Medeiros e Almeida.



Samantha Coleman-Aller

Casa-Museu Medeiros e Almeida

 FONTE: http://www.casa-museumedeirosealmeida.pt/






Bibliografia:
BENEZIT, E., Dictionnaire critique et documentaire des Peintres, Sculpteurs, Dessinateurs et Graveurs, Librairie Gründ, France,  1961, vol. 2, p.171

FRANCO, Anísio, Realidade e Capricho. A pintura Flamenga e Holandesa da Fundação Medeiros e Almeida, Fundação Medeiros e Almeida, Lisboa, 2008

MARLIER, Georges, Pierre Brueghel Le Jeune, Editions Robert Finck, Brussels, 1969

Artigos:

ART & CURIOSITÉ, Junho-Julho-Agosto, Paris, 1971, p.41

CONNAISSANCE DES ARTS, Fevereiro, 1968, pp.94 a 100 e 105

LE FIGARO MAGAZINE, ‘Les Bruegel. Tel père tel fils’, 23 Março 2002, pp.62-67

1 de dezembro de 2013

Georges da La Tour, Batota com Ás de Ouros, 1635

Georges da La Tour (1593-1652)
“Le Tricheur à l'as de carreau”, 1635
Óleo S/tela, 106 cm x 146 cm
Museu do Louvre à Paris

29 de novembro de 2013

O Rapto de Europa, Peter Paul Rubens

Peter Paul Rubens,
Rapto de Europa, 1628/29
Museo del Prado
Amores proibidos com um final feliz. A bela Europa terá sido seduzida pela opulência de um toiro que se deitou aos seus pés com ar pacífico e de um olhar ternurento. Primeiro afagou-o, depois sentou-se-lhe no dorso e depois de algumas carícias trocadas o touro empreendeu um voo por cima do oceano. A pobre princesa fenícia ficou assustadíssima. Mas não tardou a perceber que o raptor só podia ser Zeus disfarçado, pois ao longo da sua viagem verificou que das ondas emergiam peixes, tritões e sereias a acenar-lhes num cortejo nupcial. Até Posídeon apareceu agitando o seu tridente. Da união de Zeus e Europa nasceram três filhos: o valente Sarpédon, o justo Radamanto e o lendário Minos, rei de Creta.
Europa coroada deu nome a todo o território a Ocidente…

25 de novembro de 2013

Rembrandt, A Ronda nocturna, 1642

Rembrandt
A ronda nocturna (De Nachtwacht), 1642 
Óleo sobre tela, 359 × 438 cm 
Rijksmuseum (Amsterdão)

Existe uma cópia que prova que este quadro sofreu um corte:

Cópia de 1712